segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Vento, mar e praia

          é   o   vento            
  que com a força da paixão
              empurra o mar
         que em ondas
      se entrega
à praia

domingo, 18 de dezembro de 2011

Efemeridade

sempre se está
prestes a.

Felicidade

não há um caminho para a felicidade
a felicidade é o próprio caminho

sábado, 17 de dezembro de 2011

Sem eufemismo

  - Agora já pode possuir a noiva.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Do verso verdadeiro



                                  Tudo que é poesia verdadeira ressoa Pessoa.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Vértice

Uns dizem orixá, outros santo
uns dizem catolicismo, outros candomblé
uns a chamam de Iemanjá, há quem a chame de Maria
uma dizem que é religião, a outra crendice
mas quem disse?


(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 21)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Leva tempo



para que o amor de
                                        um
cruze o amor de
                            outro

às vezes
leva uma vida inteira
e eles          não
          se              cruzam

para os afortunados
eles já nascem entrelaçados


*poema selecionado para o Livro Prêmio Alt Fest, patrocinado pela Fliporto.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Aroma de amora



No interior,
facilmente se encontra pés de amora
e debaixo deles se namora.

Quando criança, no caminho de volta da escola
gostoso era comer amora,
colher amora...
ajudar as meninas a trepar nos galhos mais altos,
segurá-las pelas mãos...

Colocar amoras (as mais suculentas)
em suas bocas,
e observar o doce suco da fruta
tingir-lhes os lábios.

Chegar em casa de roupas manchadas
e ouvir as queixas de mamãe:
"suco de amora não sai da roupa"
e da memória.

(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 57)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Lançamento do livro Pelas Periferias do Brasil-vol 5


                                      Eu e Oliveira, um dos autores da coletânea.

Convite


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Feliz dia das crianças


O pato indeciso
empata toda hora
com a linda patinha branca
ele não sabe se namora.

             ***

Nhoca
a minhoca dorminhoca
come nhoque
todo dia
nhoc nhoc
nhoc nhoc 
nhoc nhoc
que alegria!

domingo, 2 de outubro de 2011

Acerto de contas

|O Papa diz:
- Perdão.
O Pajé, de terço no pescoço, responde:
- Amém.

(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 35)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Estátua

(Foto de Eryck Magalhães, Cemitério dos Passos, Guaratinguetá-SP)


Aquela estátua sempre estivera ali, imóvel, fria e cinza. Guardava dela uma vaga lembrança de infância, quando em dia de finados ia com meus pais visitar os falecidos entes da família. No entanto aquela foi a primeira vez que realmente a olhei, ou ela olhou para mim. Não havia ninguém por perto, o cemitério estava vazio. Apenas eu e ela. Aproximei-me um pouco e pude conferir seus contornos, os ombros curvados.  O cotovelo sobre uma das pernas servia de apoio para o braço que sustentava a mão cujos dedos, entrelaçados aos cabelos, amparavam a fronte. Em sua superfície, principalmente perto dos ombros, havia uma camada de musgo. Num ímpeto a toquei. Não sei se a intenção era a de confortá-la, acalmá-la ou até mesmo a de acariciá-la. Enfim, a toquei. O musgo que lhe cobria era como se fosse um manto de veludo, assim eu o senti com as pontas dos dedos. Por um momento, quase que senti seu tronco arfar como em um suspiro profundo. Um vento frio passou por mim. Ajustei meu casaco ao corpo e parti.
Assim como a mulher de Ló, não pude deixar de olhar para trás. Entretanto a estátua era ela. Não nego que tive vontade de ficar ali, imóvel, contemplando-a, mas o vento me soprou adiante. Carrego dela esta última imagem na retina. Às vezes, ela me aparece em sonhos dos quais não me recordo muito bem. Ela nunca fala, as vestes sempre as mesmas. Seus longos cabelos frente à face me impedem de admirar suas feições, mas sua energia me atrai feito imã. Sei que mais dia menos dia vou ter que voltar lá para visitá-la. Não sei quando. Hei de vê-la e, desta vez, contemplar seu semblante. O rosto, quero ao menos um esboço de sorriso, a tez de pétala de rosa branca, os olhos cintilantes.  Eu, o anjo e ela, Santa Teresa. De nós, o êxtase. 

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

terça-feira, 12 de julho de 2011

Dessubstancialização

                         
                         A oca, outrora oca

                                hoje é oca

(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 18)

sábado, 18 de junho de 2011

Arritmia



O sentimento muda tal qual nuvem.

O mesmo amor que desarma,
arma...

O bem-querer que acalma,
desalma...

O abraço que afaga,
afoga...

Coração é folha seca,
pena de passarinho à deriva,
quem traça o caminho é o sopro do vento.

(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 44)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Lapsos e tessituras



Eu e o poeta e contista de Cachoeira Paulista, Jurandir Rodrigues, na noite de lançamento de seu livro de contos: "Lapsos e tessituras".

domingo, 5 de junho de 2011

Cheiro de saudade


                                   

                dedicado à avó Maria


cheiro de mexerica
e o aconchegante sol de inverno
só não era mais aconchegante
que a companhia de minha avó

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Antes do amém


        Tentava se concentrar enquanto rezava o terço, todavia uma cólica intestinal exigia sua atenção e parecia fazer questão de lembrá-lo, a todo o momento, do seu lado mais humano. Com muito esforço, chegou ao quinto mistério, porém a vontade tornou-se incontrolável. Correu em disparada ao banheiro com terço e tudo, arriou as calças, sentou-se no vaso e, quando finalmente ia dar cabo ao seu intento, o seguinte pensamento invadiu-lhe a mente: ‘Será pecado rezar e cagar ao mesmo tempo?’. O questionamento travou-lhe o esfíncter . Ficou ali, sobre o vaso, de terço nas mãos, balbuciando uma ave-maria e tentando achar uma resposta. Enquanto isso, a vontade ia reformulando-se em pequenas ondas até se tornar uma imensa onda em pleno mar revoltoso. Apressou a reza, segurou o máximo que pode mas, antes de dizer o amém final, aquilo tudo veio abaixo como golpes de um martelo furioso.
            Sentiu vergonha de si mesmo, até porque o alívio era extremamente prazeroso. Sentiu vergonha de Deus, certamente ele havia presenciado tudo, visto que em todo lugar está. E o esforço? Todo em vão! Restou-lhe o confessionário. Mal limpou a bunda e subia as calças e pôs-se a caminho da igreja. 

domingo, 1 de maio de 2011

Sobremesa


Acometida pela fome, Chapeuzinho Vermelho parou no meio da floresta e comeu o bolo que levava para a vovó. Ao chegar ao seu destino, deparou-se com o lobo prestes a comer a pobre velhinha. Não teve dúvidas. Devorou o lobo.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Guará: Shopping promove evento na Semana do Livro


A partir desta quinta-feira, haverá noite de autógrafos com escritores
Acontece nos próximos dias 28, 29 e 30 de abril, no Buriti Shopping Guará, a Comemoração da Semana do Livro – que contará com Banca para Troca de Livros, Teatrinho, história infantil e história sensorial contadas por especialistas, noites de autógrafos e encontro com escritores além de debates sobre temas variados.

Estão confirmadas as participações dos escritores Ana Cecília Láua, Tonho França, Henrique Alckmin, Eliana Maciel, Isabel Ramos, Nídia Violante, Wilson Gorj, Fabiano Garcez entre outros.

A empresa “Novakraft”, de Potim, promoverá no local uma Oficina de Papel Reciclado para divulgar a importância da reciclagem e ainda conta com a participação de deficientes visuais interagindo com o público. Os produtos que resultam desse projeto estarão à venda na Papelaria Nobel. A participação é gratuita e aberta aos interessados.
Fonte: http://www.vnews.com.br/noticia.php?id=9457

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Melancolia


Tamanho era o sofrimento que chorar as pitangas de nada adiantaria. Chorou melancia.

sábado, 5 de março de 2011

Epifania

Em uma tarde de fortes ventos, uma rosa branca, impelida pela ventania, pode finalmente realizar seu desejo. Desferiu no beija-flor um beijo e tingiu-se de vermelho.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Tuitadas

Ele: vem cabrocha!
Ela: vem cá, broxa!
        
***          

Cueca / Cu? Eca!
       
***

amar ela / amarela / amá-la / amala / a mala / mala / la
                              
***

Compus, não com sangue, com pus.

***

O homem nega o cio. Negocia.

***

Tu supões /  tu chupões / two chupões

***

Eclipse é quando o Sol copula com a Lua.

***

a leitura me apraz me apraz mea praz mea paz paz

***

Paixão é quando os corações são imãs um do outro.

***

Quem não é fruto de um caso, só pode ser fruto do acaso.

***

Sessão Maria

1- Para os fumantes: Maria-fumaça.

2- Para os sentimentalistas: Maria mole.

3- Para os promíscuos: Maria-sem-vergonha.

4- Para os altruístas: Maria vai com as outras.

5 - Para os puritanos: Maria, a virgem.

***

Lágrimas fertilizam o sentimento.

***

Crianças são como nuvens, brincam sem consciência.

***

Não sei quantos poemas estão incubados em mim. No momento certo, não hesitarei em pari-los.

***

sussURRO

***

Entre a existência e o nada, um fio tênue _____________________ 

***

O fresco ar da manhã, injetado nos pulmões com violência. Não há dor, há vida.

***

Nós somos nós duros de desatar...

***







sábado, 15 de janeiro de 2011

Prefácio de "Ecos e outros versos"




Seguindo uma constante entre os melhores poetas brasileiros, a poesia de Eryck Magalhães é sem dúvida marcada por uma profunda e obstinada busca da palavra justa, navegando, conforme ensinado por João Cabral, perigosamente entre os rios da participação e da construção, sina, por motivos óbvios, de literaturas como a nossa. Mas que fique desde já afirmado: este é um poeta de timbre próprio.
Numa primeira leitura, a surpresa impõe-se, derivada justamente de sua riqueza. Há uma multiplicidade de temas, dicções e recursos que contrasta com a concisão tanto do livro quanto com a de quase todos poemas aqui presentes. Seus temas variam do amor --- “Passeio de fim de tarde” --- à metalinguagem de “Receita caseira”; do prazer lentamente saboreado de uma descoberta da infância --- “Aroma de amora” --- à noite sórdida --- “Sentinelas”.
As dicções, por sua vez, remetem a um intenso diálogo mantido pelo poeta com a tradição literária na qual se encontra inserido, por exemplo, “Antipoema” ecoa “Autopsicografia” de Pessoa, “Av. Paulista” é explicitamente oswaldiana, “Imperfeições da Linguagem” aponta para os concretistas e o humor nonsense de José Paulo Paes.
Mais duas últimas coisinhas sobre essa poesia instigante. A infinidade de recursos poéticos manuseados em Ecos e outros versos mereceria um parágrafo, impossibilitado, contudo, uma vez que o espaço se esgota. Só um toque: atente-se à espacialização do já citado “Imperfeições da Linguagem” e a do “Metrópole Concreta” ou às aliterações e paranomásias de “Resquícios”. Um outro toque: a temática tratando da questão negra no Brasil ocupa vários poemas, fato por si só capaz de suscitar indagações no leitor, deve ser lembrado, porém, a participação de Eryck Magalhães na Educafro, curso Pré-vestibular voltado a afrodescendentes, primeiro como aluno depois como coordenador, como também essa matéria ter ocupado o autor no período de conclusão de seu curso superior em Letras.
Por fim, há reparos sem dúvida, mas isso são senões diante de uma obra que se inicia, pedras no caminho, mas pedras no meio do caminho, de acordo com Drummond, compõem o itinerário da poesia, assim, por ora, usufruam, deleitem-se.
  
                                                                João dos Santos Clemente Neto

domingo, 2 de janeiro de 2011

Fatalidade


Era aficionada por livros. Destino traçado: seria uma intelectual. No entanto, foi encontrada morta sobre um livro. A indigestão matou a traça.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Tautologia


Inesperadamente, não se sabe de onde, surgiu um homem com uma borracha até certo ponto comum, e apagou todas as palavras do mundo. Insatisfeito, entrou nas mentes de toda a gente e de lá arrancou todas as palavras. Finalmente partiu para não se sabe onde, levando-as consigo.
Com muito custo, algum tempo depois, algumas pessoas começaram a se lembrar de alguns vocábulos. Porém, por mais que se esforçassem, não conseguiam se lembrar de seus significados. Logo, o que era até então conhecido como árvore passou a ser chamado de terra, a terra agora era rio, o rio, nuvem. Talvez o mais inusitado tenha acontecido com o amor que virou ódio. Não era raro ouvir dos casais apaixonados a insólita declaração “eu te odeio”, dita com extrema delicadeza e sinceridade que fazia apetecer qualquer coração.
No mais, tudo ficou como era antes, mesmo não sendo.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

o homem



cadáver de si mesmo
na lasca de unha
                               cor|
                                     tada

no fio de cabelo
                          c
                          a
                           í
                           d
                           o

na célula
                    des   pren   di  da

vestígios de corpo
sem despedida

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Visita à escritora Ruth Guimarães


Visita à escritora Ruth Guimarães, de Cachoeira Paulista, autora do romance "Água Funda". Foi uma tarde agradabilíssima e memorável.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Feira itinerante de troca de livros no Senac de Guaratinguetá


FESTIVAL DO LIVRO
Semana de incentivo à leitura

| FEIRA ITINERANTE DE TROCA DE LIVROS |

Outubro de 2010

Realização:
SENAC e Grupo VALEFOCO

Apoio Cultural:
Jornal O Lince, C.S.A Sítio do Juca, Sila Produções, Dep. de Cultura de Guaratinguetá


DIA 18/10 – segunda-feira:
– 19h30 - Abertura com apresentação do “Sarau Cênico” realizado pelo Grupo Dell’arte Companhia Teatral, sob direção de Souza Heiras.  
– 20h30 – Literatura na tela – Machado de Assis  Uns Braços
– 21h30 – Sorteio de livros dos selos Vale em poesia e Três por quatro, editora Multifoco.

Dia 19 – terça:
– 19h – Sessão de autógrafos de autores de Cachoeira Paulista. Livros Acontecência, do poeta Jurandir Rodrigues, e O Expectador da Vida, do artista e escritor Jurandir Fábio Monteiro, cujas obras (quadros e esculturas) estarão em exposição durante o evento.
– 20h30 – Palestra com Prof. Jurandir Rodrigues: Literatura X Tecnologia.

Dia 20
 – quarta: – 19h – Sessão de autógrafos com a autora mirim : Sofia Helena Barbosa Lourenço (Palavra de criança – Aparecida, SP)
– 20h  – Sessão de autógrafos dos poetas guaratinguetaenses Tonho França, livro O bebedor de Auroras,  e  Dora Vilela, Bordados do Avesso.
– 20h50 – Palestra com o professor e poeta Adams Alpes – Revisão: linhas e caminhos

Dia 21 – quinta:
– 19h – Tributo a José Afonso de Freitas, poeta de Aparecida, autor do livro Aquém do Lago Azul.
– 20h30 – Sessão de autógrafos dos livros Ecos e outros versos, Eryck Magalhães (Guaratinguetá), e Prometo ser breve, do contista Wilson Gorj (Aparecida).

Dia 22 – sexta-feira:
– 19h – Prof. Clebber Bianchi ministra  Oficina: Poesia não!
– 20h15 – Sessão de autógrafos com os poetas Clebber Bianchi, autor de À medida dos Tempos (Taubaté), e Fabiano Fernandes Garcez, Diálogos que ainda restam (Guarulhos, SP).
– 21h – Ciranda de poesia com os poetas da editora Multifoco.
– 22h – Encerramento com novo sorteio de livros.

A semana toda acontecerá a Feira Itinerante de Troca de Livros.


quinta-feira, 14 de outubro de 2010

"Imortais do Twitter"


Matéria publicada pela revista Língua Portuguesa, edição deste mês de outubro, por conta do concurso realizado via twitter pela ABLetras, o twitter da Academia Brasileira de Letras. Além de publicar os três textos vencedores do concurso, a matéria também ressalta a importância da ABL  estimular a produção literária na "tuitosfera". 

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Eleitor negro


Só sabia de uma coisa, seu voto não seria em branco.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

7 de setembro

Por mais que tentasse, o preto não conseguia dar sentido ao grito do Ipiranga.

sábado, 28 de agosto de 2010

Premiação na Academia Brasileira de Letras



Nesta quinta-feira (26/08/2010), estive na ABL por conta da premiação do concurso de microcontos realizado via twitter pela ABLetras, o twitter da Academia Brasileira de Letras. O microconto "Dilema da Aranha" ocupou o 3º lugar entre os participantes.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Premiação na ABL




Nesta quinta, 26/08, estarei na Academia Brasileira de Letras por conta da premiação do concurso ABLetras.
Quem quiser ler o texto premiado, basta clicar no link abaixo:
http://eryckmaga.blogspot.com/2010/04/dilema-da-aranha.html

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Jornal O Lince


edição julho / agosto

Matéria publicada sobre os poetas e contistas da região valeparaibana


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

"Ecos e outros versos" na Bienal


      Tarde de autógrafos, na Bienal do livro, em São Paulo, 14/08/2010.
      O evento foi realizado no estande da Editora Multifoco.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Without a doubt

one must be
undoubtedly
a doubter

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Ecos e outros versos na Bienal


Dia 14 de agosto, "Ecos e outros versos" na Bienal. Confira a programação no site da editora Multifoco:


quinta-feira, 29 de julho de 2010

Ecos e outros versos


Adquira seu exemplar através do seguinte site: http://www.tonhofranca.com.br/banca/banca-do-tonho.php
ou entre em contato com o autor eryckletrado@hotmail.com


sábado, 24 de julho de 2010

Zumbi



                                      negro que não passou
                                      em branco

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Peleja

No Pelourinho pelava-se a pele.
Negro pelado,
sem cor.

Hoje no Pelourinho
só pelo lourinho.

(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 15)

Descobrimento

No meio da mata fechada
a índia nua e virgem...

O português cristão
nunca amou tanto o próximo
como a si mesmo.

(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 36)

Inconsciente negro

A dor de ser crioulo sarará?

(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 30)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O



umbigo
um pingo
ponto final

 .

no meio
do ventre
entre

sábado, 1 de maio de 2010

Esferográfica


        
          Temendo que a ideia lhe fugisse, o poeta pôs-se a anotá-la. A caneta, entretanto, falhava. Das letras mal tracejadas, pedaços de ideias despencavam.

terça-feira, 27 de abril de 2010

De cor



Sujeito de cor
ao eito sujeito
sabe-se de cor
dá-se um jeito.

Sujeito de cor
de coração
no peito.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

De lua

          
                                                                     
         Preparou tudo para aquela noite. Trazia no bolso o anel de brilhantes e o discurso na ponta da língua. Uma imensa lua amarela resplandecia; lua de mel. Só não contava que ela fosse de lua.

domingo, 18 de abril de 2010

De mãos atadas



Pediu-lhe a mão. Ela concedeu-a a ele.
Insatisfeita, concedia o resto do corpo a quem pedisse.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Eco poema


Poemas são árvores;
ideias brotam como frutos
e nos galhos das palavras dependuram-se.


sábado, 3 de abril de 2010

Além



O além é ali,
lá, acolá,
lá longe,
logo adiante,
logo após,
para lá.

Além do mais,
o além está além
de qualquer conjetura.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Dilema da aranha

Não sabia ao certo onde tecer sua teia.
Escolheu um cantinho de parede da cozinha.
Acertou na mosca.

*Microconto premiado pela ABL

segunda-feira, 29 de março de 2010

Sublime



                                                             
    Músico e poeta encontraram-se por acaso, e trocaram presentes. O músico ouviu nos versos, música. O poeta contemplou na música, poesia.

quinta-feira, 25 de março de 2010

No divã



- O que te desperta a dor?
- O despertador.
- Fale mais sobre isso.
- Integro a maioria. Não sonho de olhos abertos.

terça-feira, 16 de março de 2010

Paradoxo


Em cada sussurro,
um urro.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Ensimesmado


sozinho

somente

só a mente

não mente.


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Esvaecimento


      Era quaresma e há dias passava a escassos goles d’água e a miúdas migalhas de pão. Do confessionário, saiu levíssimo. A alma, um resquício de pena. O menor dos ventos não teria esforço algum para elevá-la ao céu. Sublimou.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O coveiro


        Destinou sua vida aos mortos. Enterrava-os e confortava seus entes. Quando a gadanha arrancou-lhe a vida ninguém foi ao seu enterro, exceto um homem que trazia consigo uma pá.

Jesus

      Pregava noite e dia. Quando deu por si, já o haviam pregado na cruz.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Suicida




À beira do precipício,
                            
                              o fim
                                            
                                      ou
   
                                        o início?

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Visão além


Atrás do insólito,
acima do solo,
do sol.
A visão jamais vista.


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Esperança

                                                          
                                                                Espero
                                                                Desde espero
                                                                Desespero
                                                                Desesperança.


Sêmen


Semente
da qual
  brota gente.


terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Domingo

Não estava apaixonado,
comprou pipoca e deu aos pombos,
não por piedade, mas por não ter o que fazer.

Sentou-se no banco e olhou para o céu,
não viu desenho nenhum,
apenas uma nuvem disforme.

Pensou no vazio e na segunda que estava por vir,
foi pra casa, não havia motivo para estar ali.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sonho americano

          Com muito custo chegou à terra de Tio Sam. Na mala, o sonho de multiplicar o único dólar que trazia no bolso. Meses após, o que ganhava era apenas para o sustento. Virou do lar.

Gradação













De grão em grão

a ampulheta amputa.


De segundo em segundo

o ponteiro aponta

a curva no fim do caminho.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O cético



               Em meio a toda questão sempre dizia: “depende”. Acabou dependurado em cima do muro.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Do céu




        
            Os primeiros pingos começavam a cair. De tão espessos, pareciam martelar o solo. Em pouco tempo a enxurrada varreu tudo. Em meio ao lamaçal, uma senhora que aparentava ter a vivência de mais de meio século, elevava seus braços de fartas carnes ao céu e, de olhos cheios d’água, agradecia a Deus por ter salvo um pouco do pouco que tinha. Não se deu conta de que a chuva viera do céu.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A paixão de Cristo




           Enquanto agonizava, de pés e mãos cravados na cruz, tentava lembrar de algo que o ajudasse a suportar a dor. Pensou em Madalena e em tudo que viveram.


domingo, 13 de dezembro de 2009

Rosa de sangue

        


     

           Em meio aos compactos arbustos verde-musgo, destacava-se apenas uma rosa vermelha. Arrancaram-na brutalmente. Na palma da mão, mais parecia um coração palpitante. Um punho cerrado impeliu contra ela toda a sua força. Sangue correu pelo vão dos dedos. Não atentara para os espinhos.


quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O sacrifício




        
          De mãos atadas e olhos tapados pela mão de seu próprio pai, Isaac ouviu uma voz:
          - Não estenda a mão sobre o teu filho e a ele não faça mal algum.
          Viu o pai prestes a desferir-lhe um golpe de punhal. Perdoou-o, mas não pode mais amá-lo. Sempre pensara que o amor do pai era incondicional.
          Deus sentiu-se culpado, mas transferiu a culpa a Abraão.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Tempo indolente



        Cristão fervoroso, sempre sonhara em ver a Capela Sixtina de perto. Não poupou esforços. Após anos de economia, foi ao Vaticano. Ao contemplá-la, desconverteu-se. Viu Deus de cabelos e barba grisalhos. Os traços vincados. O próprio Deus, combalido pelo tempo.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Discórdia


        
                                                      
         Lúcifer andava cabisbaixo pelo paraíso. O Senhor perguntou-lhe:
         - Por que padeces?
         - Pai, tenho sofrido muito. Não tenho vocação para anjo. Liberte-me desta incumbência. Envie-me para a terra.
         O senhor negou o pedido. Na primeira oportunidade, Lúcifer fugiu.